Ecossistema de inovação no Brasil: pronto pra fazer negócios

Por: Energy Future  |    26/12/2019
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Comunidade empreendedora brasileira se fortalece, cria oportunidades e expande atuação, mas ainda há velhos desafios.

As últimas duas décadas foram marcadas por períodos de altos e baixos no Brasil, o maior país da América Latina com 210 milhões de habitantes. Mesmo diante de tantos obstáculos, o país surpreende ao abrigar um dos ecossistemas de inovação mais vigorosos da América Latina.

Atualmente, o Brasil tem 10 cidades na lista dos 500 maiores ecossistemas de startups do mundo. Apresenta avanços significativos, que impressiona não somente pelo tamanho, mas também pela qualidade e potencial de desenvolvimento em pouco tempo.

A estruturação do ecossistema de inovação nacional justifica-se pela ampla gama de iniciativas: startups, hubs de inovação, incubadoras, aceleradoras, espaços de coworking, redes de investidores e de fundos, incentivo a projetos P&D, entre outras opções que possibilitam o crescimento dos negócios.

Conhecida como potência de inovação do Brasil, a cidade de São Paulo concentra 60% dos investimentos em startups e possui mais 2 mil ventures que trabalham em produtos e serviços baseados em tecnologia. Com cerca de 15 milhões de habitantes, São Paulo é responsável por 18% do PIB nacional, e abriga metade dos bilionários do país. Não à toa, é uma floresta de unicórnios, startups avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares.

O aparecimento dos seres mitológicos está relacionado ao cenário de fortes investimentos. Só no ano passado, os fundos conhecidos como venture capital investiram US$ 1,3 bilhão (R$ 5,1 bilhões): volume 51% superior ao de 2017, segundo dados da Associação Latino-americana de Private Equity e Venture Capital (Lavca, na sigla em inglês). O montante representou 65% de todos os investimentos feitos na América Latina.

Em muitas áreas já é possível comprovar o impacto que o ecossistema de inovação, caracterizado pela eficiência e redução de custos, traz à sociedade com suas tecnologias voltadas a atingir escalas. Saúde, educação, transporte, saneamento básico, entre tantos outros setores vêm se beneficiando com as mudanças.

No setor de energia, por exemplo, não somente existe o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel, como também a chamada do Energy Future, que conecta empreendedores a grandes concessionárias. Ambas as iniciativas visam fomentar o investimento em inovação.

Mas ainda há muito o que ser conquistado. Afinal, o ecossistema brasileirocontinua em formação e a sua trajetória inclui entravesque desaceleram a capacidade de gerar ainda mais entregas, de maneira mais abrangente, inclusiva e integrada.

Burocracia e custos da inovação são alguns dos velhos obstáculos

Apesar do aumento do investimento, não e fácil inovar no Brasil. Burocracia jurídica e regulatória, carga tributária e juros altos na obtenção de créditos, além da falta de integração entre empresários, empreendedores e pesquisadores são alguns dos obstáculos, que dificultam a formação dos novos negócios e, consequentemente, a disseminação da inovação na economia.

Os desafios colocados à inovação no país são resultados de aparatos da estrutura política, que dificultam tentativas de empreendimentos na base, mas também de decisões feitas diante do atual cenário de crise econômica.

Os cortes anunciados pelo governo nas verbas direcionadas ao Ministério da Educação e ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) impactam diretamente projetos de pesquisa e desenvolvimento nessas áreas que, juntas, recebem 71% dos recursos, de acordo com os Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação divulgados em 2018, com ano‒base 2016.

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada este ano com 100 CEOs, mostrou que, para 49% das empresários, o grau de inovação da indústria brasileira é baixo ou muito baixo. Apesar do percentual representar um avanço na percepção em relação a 2015, quando o número chegou a 62%, reflete ainda uma avaliação negativa quanto ao contexto de inovação no atual cenário econômico.

E a redução de investimentos pelo governo em inovação é vista como equivocada pelos empresários e especialistas. “Inovação precisa ser o centro da estratégia de desenvolvimento das empresas e, sobretudo, do país", afirma Robson Braga de Andrade, presidente da CNI.

A preocupação do setor industrial é justificada pela inovação ser hoje uma das maiores vantagens competitivas que um país ou mercado pode ter sobre outro.Mesmo em contexto de crise, países mais avançados economicamente buscam empreendimentos focados e impulsados por inovação como mola propulsoras da economia.

Como exemplo, o governo americano, durante a crise de 2008, aumentou os investimentos em P&D, de forma a aliviar a retração dos financiamentos privados em inovação. O país lidera o ranking mundial de economias que mais investem em pesquisa e desenvolvimento, com US$ 476,5 bilhões anuais, seguido da China com US$ 370,6 bilhões. Juntos, os dois países, representam, sozinhos, 62% do investimento global da área, de acordo com pesquisa do Fórum Econômico Mundial.

O Brasil aparece em nono lugar, investindo US$ 42,1 bilhões ao ano em pesquisa e desenvolvimento, ou 2,3% do investimento global. O país fica atrás do Reino Unido, mas à frente de países como Canadá, Austrália e Holanda. Apesar do montante parecer positivo, quando o investimento é medido em relação ao PIB, o Brasil não se configura nem entre os 15 maiores investidores.

A falta de inovação faz com que não somente a indústria, mas diversos setores fiquem dependentes de conhecimento e tecnologia produzidos no exterior, aumentando custos produtivos e levando à perda de competitividade. Em um mundo cada vez mais globalizado e conectado, acende-se a luz amarela para o Brasil decidir se acelera ou fica pra trás na corrida pelo desenvolvimento sustentável do país.