O que é blockchain e por que pode mudar o mercado

Por: Energy Future  |    06/01/2020
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Tecnologia, que ficou conhecida com a difusão das criptomoedas, revoluciona interações no mercado, incluindo o setor elétrico.

Começar o ano é pensar no futuro. Nada melhor então falarmos sobre uma tecnologia que vem possibilitando grandes transformações nas transações ao trazer segurança, transparência e agilidade.

Blockchain é encarado como um game changer, uma tecnologia disruptiva capaz de construir confiança em interações diretas, que pode ser aplicada em diferentes e complexos mercados. Mas, afinal, o que torna essa tecnologia tão especial? E como ela está fazendo diferença no setor elétrico?

A expansão da internet muda as regras da sociedade. O mundo é levado à Era Digital, marcada pela descentralização e velocidade da informação, pela dinamização de fluxos internacionais e pela imensa capacidade de armazenamento de dados.

No novo contexto, informação é moeda de troca no mercado. E o imediatismo do compartilhamento é requisito. Ao mesmo tempo em que a complexa e imensa rede permite acesso sem precedentes, também cria um ambiente de incerteza global: como garantir a validade da informação?

Blockchain é uma tecnologia de registro, que se tornou conhecida com a difusão da criptomoeda: Bitcoin. Mais que simplesmente uma rede, é um conjunto de tecnologias que armazena e rastreia qualquer coisa de valor: transações financeiras, registros médicos, títulos de propriedade são apenas algumas das interações possíveis.

A inovação tecnológica está na evolução do modo como interagimos. A tecnologia garante o rastreamento e depósito de dados de forma cronológica, em uma cadeia contínua – a chain of blocks.

Foi projetada para ser descentralizada e distribuída em grande rede de computadores, reduzindo a possibilidade de adulteração dos dados, ao mesmo tempo em que gera confiança nas informações com um sistema de verificação em rede.

Além disso, ao permitir que os dados sejam compartilhados e verificados pela rede, a tecnologia elimina a necessidade de mediadores nas transações. O que diminui riscos de exposição e, por sua vez, tempo e dinheiro.

Blockchain, como funciona a tecnologia?

O nome por si só já assusta mais leigos com assuntos tecnológicos. Mas a partir do passo a passo fica mais fácil entender por que razão a tecnologia é já conhecida como “protocolo da confiança”.

Blockchain é uma tecnologia de registro distribuído. Ela funciona com uma cadeia de blocos (daí o nome). Cada bloco carrega um conteúdo e uma impressão digital (hash). O conteúdo pode ser uma transação financeira, a compra de um título, por exemplo.

Sendo uma cadeia de blocos encadeados, cada bloco subsequente contém a impressão digital (hash) do anterior e o próprio conteúdo. Com as duas informações, gera então a própria impressão digital, um selo único. E assim por diante.

A impressão digital chamada de hash é uma função matemática, um enigma criptografado, que a partir de uma mensagem ou arquivo, gera códigos de letras e números aos dados inseridos para cada bloco. Se alguma informação for alterada, a impressão digital também muda. Com esse selo, é possível verificar e sinalizar a alteração em qualquer bloco.

As cadeias de blocos possuem nós, agrupamento de pessoas ligadas pelo mesmo interesse e mercado, que dependendo do tipo de blockchain, pode gerar e escrever blocos, ou simplesmente verificar a validade do bloco escrito (os mineradores).

Diagrama Blockchain

A combinação dos complexos enigmas matemáticos com a verificação na rede cria a confiança nos dados depositados, trazendo segurança e transparência à cadeia. Toda a transação passa a ser descentralizada, direta e interativa (quase em tempo real).

Tipos de blockchain

Como blockchain é um tipo de tecnologia e não somente uma rede, a implementação pode ser feita de diferentes formas:

Pública: todo mundo pode ver e acessar os dados.

Privada: fechada para um grupo específico de usuários autorizados, como de bancos, empresas e agências de governo.

Híbrida (público-privado): em alguns casos, os usuários com privado acesso podem ver todos os dados, enquanto usuários públicos somente acessam partes selecionadas. Em outros exemplos, todo mundo pode ver todos os dados, mas somente alguns têm acesso para adicionar informações.

Em tempos de crise de governança, blockchain é um drive de transparência. Possibilita a criação de trilhas de auditoria de informações confiáveis. Torna mais simples a construção de plataformas de rastreamento das informações, datas, acesso, entre outras necessidades. Por essa razão, a ferramenta é vista com grande potencial sustentável para governos e mercados, nos mais diferentes setores.

Blockchain no mercado elétrico

O setor elétrico passa por muitas mudanças. O aumento da demanda e da geração da matriz energética renovável, com destaque para a energia solar, reflete no desenvolvimento de tecnologias disruptivas em toda a cadeia.

Geração distribuída, baterias para armazenamento, veículos elétricos, cidades inteligentes, internet das coisas são alguns dos divisores de água. E blockchain assume importante papel nesse contexto de complexos cases do mercado elétrico.

A tecnologia blockchain pode possibilitar, por exemplo, às empresas uma forma mais eficaz de registro e de processamento de dados, além de permitir aos consumidores um modo mais transparente na administração de faturas de energia elétrica.

No setor elétrico, já há cases do uso de blockchain no mundo inteiro. Um dos projetos mais reconhecidos é o Brooklyn Microgrid da LO3 Energy. A empresa americana desenvolveu uma plataforma que permite que a energia gerada em excesso pelos moradores da região seja comercializada diretamente com os vizinhos, conectados ao mesmo microgrid. O projeto promove a geração de energia solar e do uso de blockchain para novos modelos de marketplace.

Outro exemplo do uso da tecnologia está na automação de Certificados de Energia Renovável (REC - Renewable Energy Certificates), bem como de processos e operações de tarifação e negociação de energia.

A tecnologia blockchain está em construção. Há efeitos ainda não conhecidos que precisarão ser analisados. Bem como, surgem questionamentos, como a respeito da demanda de energia no processo de validação das transações pelos mineradores.

Parte desse processo gestacional é a necessidade de aperfeiçoamentos e a capacidade de lidar com os desafios. A começar pelo desconhecimento em relação à tecnologia. Somente o tempo mostrará o potencial do blockchain de popularização.

Outros possíveis entraves são administrativos e regulatórios; a articulação entre os atores, com alinhamento de expectativas e prioridades; além da falta, hoje, de políticas públicas, que reforcem o uso de blockchain como ferramenta de desenvolvimento e de planejamento médio e longo prazo.