O que você sabe sobre Internet das Coisas (IoT)?

Por: Energy Future  |    11/02/2020
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Entenda melhor o conceito e as aplicações no dia a dia

Imagine que você acorde atrasado para uma reunião importante no trabalho. Na pressa pra sair, bate a porta de casa e não percebe que está sem a chave. Para piorar, começa a se consumir, na dúvida, se desligou ou não o ferro de passar. Até que você se lembra de que seu melhor amigo tem uma cópia. Você liga e pede pelo amor de Deus para que ele dê uma passadinha e confira se está tudo certo.

Com menos um problema, você agora pode se apressar. Mas o engarrafamento é grande, e você se esqueceu de checar a melhor rota. Liga o rádio para acompanhar as notícias do trânsito, por sorte, tem uma saída à esquerda. É a sua chance! Você pensa: vai dar tempo! Finalmente, chega ao prédio da reunião. Mas, não há vagas. Lá vai você rodar o quarteirão. Entre súplicas e xingamentos, finalmente a encontra: Ufa! Você conseguiu. Cinco minutos de atraso e muitas cabelos perdidos.

O exemplo anterior cabe bem na rotina analógica do século passado. Com os anos 2000, o uso da internet e do smartphone intensifica-se em nossas vidas. E apesar de certos hábitos não mudarem: como acordar atrasado para o trabalho ou esquecer-se de desligar um aparelho, e mesmo pegar a chave, passamos a contar com a ajuda de “coisas”, objetos no nosso cotidiano cada vez mais inteligentes, integrados e adaptados às nossas rotinas.

Hoje existem mais de 20 bilhões de “coisas” conectadas no mundo, chegando a incrível marca de 100 bilhões em 2025. Fonte: Gartner.

O conceito de Internet das Coisas, em inglês Internet of Things (IoT), nasce nesse mundo digitalizado, marcado por novas formas de interação entre nós e os objetos ao nosso redor. As coisas do cotidiano tornam-se mais inteligentes, com funções ampliadas e interligadas por chips, sensores, antenas e redes.

E quando se fala coisas, o significado é qualquer coisa. Casas inteligentes, com fechaduras e tomadas controladas por aplicativos do celular; carros integrados à infraestrutura de cidades também inteligentes, que dirigem sozinhos com controle de rotas, velocidades, sinais de trânsito, e ainda indicam vagas disponíveis ao redor, diminuindo o consumo de energia, riscos de acidentes e emissão de CO2, entre tantas outras possibilidades. A partir desses exemplos, a história contada no início seria muito mais simples, concorda?

O que parecia cenário de filme de ficção passa a ser realidade. Tudo e todos conectados e um mundo sem fronteiras, em que as coisas falam, dão feedbacks. O real e o virtual conectam-se para criar um ecossistema tecnológico em diferentes setores da sociedade.

De acordo com a consultoria Gartner, hoje existem mais de 20 bilhões de “coisas”, objetos, conectadas no mundo, chegando a incrível marca de 100 bilhões em 2025. A estimativa é que cada indivíduo esteja rodeado, em média, de 1 a 5 mil objetos, potencialmente conectados à IoT.

A computação, a conectividade móvel e os dispositivos hardwares, como novos sensores, são as alavancas tecnológicas que ajudam a impulsionar o crescimento da IoT. A International Data Corporation (IDC) prevê que os gastos mundiais em tecnologias da Internet das Coisas cheguem a 1,2 trilhão de dólares em 2022, crescendo a uma taxa anual composta de 13,6% durante o período de 2017 a 2022 (dados de 2018).

Gastos mundiais em tecnologias da Internet das Coisas devem chegar a US$1,2 trilhão de dólares em 2022. Fonte: IDC.

Características do Sistema IoT

O que viabiliza a comunicação dos objetos no sistema da IoT é a existência de uma identidade única. Para cada coisa, há uma tecnologia de identificação, como etiquetas inteligentes e dispositivos de radiofrequência (na sigla em inglês RFID). Exemplo é a passagem de um veículo por um pedágio automático. A cancela lê os dados do circuito RFID localizada no automóvel e debita a tarifa na conta do usuário.

Com identidades estabelecidas, sensores dão sentidos para cada objeto, que agora podem gerar dados (bits) enviados por sistemas de comunicação (wifi, Bluetooth, entre outros).

A escolha por um sistema de comunicação ou outro será definida pela distância e pela quantidade de dados a serem transmitidos para servidores que, por sua vez, analisam os dados e transformam em informações. A análise de dados garante a inteligência do sistema IoT.

IoT transforma negócios e gera valor no setor elétrico

A internet das coisas vem transformando diferentes setores do mercado ao redor do mundo. E não é difícil entender o porquê.

Com a solução da IoT, indústrias passam a detectar falhas nas operações e nos serviços antes que qualquer usuário note um problema. Cuidados médicos básicos podem ser realizados em casa, em vez de hospitais, com médicos que monitoram os pacientes remotamente. Cidades inteiras ofertam serviços públicos e privados em tempo real, como energia, infraestrutura e transporte, prevenindo crimes, congestionamentos e poluição.

O setor elétrico é conhecido pela complexidade e diversidade de tecnologias integradas. Por isso, a adoção da IoT tem sido considerada natural, trazendo oportunidades e desafios.

O sistema de comunicação IoT pode melhorar a eficiência do fornecimento de energia elétrica e a interação com os clientes. A integração da IoT com os medidores inteligentes possibilitam às concessionárias: recursos remotos de gerenciamento e monitoramento de dados; automação e controle; e segurança das redes de transmissão e distribuição.

Com tantos benefícios, especialistas chamam, no entanto, a atenção para a importância da segurança e privacidade da informação. Com bilhões de dispositivos conectados, cresce o receio da invasão de hackers.

Uma vez que as soluções de IoT são compostas de diferentes pilares – hardware, conectividade, cloud e aplicação – o reforço da proteção torna-se necessário, como certificações para hardwares, redes de padrões de proteção comprovados, além de softwares de segurança.

Alguns usos da IoT com smart grid and meter

Smart Grid: A rede inteligente (smart grid) não apenas permite que as concessionárias entreguem eletricidade de maneira mais sustentável, econômica, eficiente e segura, mas também possibilita o desenvolvimento de outras tecnologias de baixo carbono, como as casa e as cidades inteligentes (smart home e digital cities).

Smart Metering: A medição inteligente (smart metering) vem sendo utilizada para facilitar as aplicações de leitura remota de medidores e os relacionamentos com clientes e serviços. Smart metering tem a capacidade de fornecer aos clientes residenciais e empresariais faturas de energia com base no consumo real, e não no estimado, aprimorando fluxos de caixa, como menos erros de cobranças indevidas e de consultas sobre pagamentos. Além de facilitar novos serviços pré-pagos de energia.

Smart home: A IoT já está sendo aplicada a eletrodomésticos. Por exemplo, um chip inteligente dentro de um freezer ou aparelho de ar condicionado, que pode desligar o aparelho quando ele estiver na temperatura ideal e ligar novamente quando necessário.

eMobility: O gerenciamento das comunicações da Internet das Coisas para a infraestrutura de eMobility é considerado fator crítico de sucesso no fornecimento de transporte limpo e sustentável no mundo, sendo o carregamento e monitoramento de veículos elétrico uma das tecnologias que mais se expande. Garante que as concessionárias possam suportar a recarga de veículos, sem afetar o equilíbrio nas redes locais de energia.